sábado, 28 de novembro de 2015

Utiel-Requena



Vinhedos das Bodegas Vegalfaro, vinícola fundada em 1999 por Andrés e Rodolfo Valiente (pai e filho).


            A Espanha possui a maior área cultivada de Vitis Vinifera do mundo, embora em volume de produção ocupe somente a terceira posição. Trata-se de um amplo território o qual nos presenteia, ano após ano, com vinhos exuberantes e geralmente de bastante personalidade: o emblemático Jerez fortificado da Andaluzia, tintos de Rioja, Priorat e Ribera Del Duero, brancos de Rueda, entre outros. É natural que, entre as 13 macrorregiões a qual está dividida, existam sub-regiões as quais permaneçam relativamente ocultas do grande público, mesmo daquele consumidor habitual de vinhos. Algumas preferem manter o “anonimato”, dedicando sua produção ao consumo regional; outras, porém, dedicam esforços incansáveis no sentido de promover seu terroir, suas cepas endêmicas, a tipicidade de seus vinhos e as melhorias em seu processo produtivo. Este é o caso de Utiel-Requena.


Sua História

            Recentemente, foram descobertos registros arqueológicos que comprovam que, desde o século V a.C., era praticada a vitivinicultura na região de Utiel-Requena. Sítios arqueológicos como El Molón, em Camporrobles, Las Pilillas, em Requena e Kelin, em Caudete atestam o passado vinícola da região. Quando do domínio romano sobre a região, estes introduziram novas técnicas de vinificação, propiciando a melhora dos vinhos ali produzidos.


El Molón e suas ruínas datadas da Antiguidade.


Utiel-Requena têm sua história também ligada ao período conhecido como Reconquista: a retomada, a partir do século VIII, do controle europeu dos territórios da Península Ibérica, dominados pelos árabes (mouros) desde o século VI. Muitas das cidades da região foram fundadas e/ou possuem grande influência islâmica em suas construções, bem como vestígios de fortalezas e construções mouras, como a cidade de Chera, por exemplo. Em 1238, a região cai sob o domínio do reino de Castela. No século seguinte, após conflitos envolvendo este reino e seu vizinho, Aragão, ocorre a união entre a rainha Isabel (Castela) e Fernando (Aragão), conhecidos como os Reis Católicos, e, após a conquista dos demais reinos ibéricos por estes (exceto Portugal), constitui-se o Reino da Espanha. Utiel-Requena, consequentemente, torna-se domínio espanhol.


Fortaleza moura nos arredores de Chera: testemunho do domínio islâmico em Utiel-Requena antes da Reconquista espanhola.


Durante o século XIX, eclodem na Espanha as Guerras Carlistas, que dividem a população espanhola entre os partidários do absolutismo e do liberalismo; reflexo de outras manifestações do mesmo cunho ocorridas Europa afora. Utiel (absolutista) e Requena (liberal), assim como as demais cidades da região, assumem posições antagônicas, situação somente resolvida com a conclusão da Primeira Guerra Carlista.
           
           
Sua Localização


Localização de Utiel-Requena.


            Utiel-Requena localiza-se na porção leste do território espanhol, dentro da província de Valencia. Situa-se numa zona de transição entre a costa mediterrânea e os platôs da região da Mancha. Seus vinhedos localizam-se predominantemente entre os rios Turia e Cabriel.



Seu Clima e Solo

A região possui um dos climas mais severos de toda a Espanha. Os verões costumam ser longos e quentes (máximas por vezes de 40 graus), enquanto os invernos são muito frios, com ocorrência freqüente de geadas e granizo (mínimas podem chegar a -10 graus). No entanto, as vinhas encontram-se adaptadas a tais rigores e oscilações e, como atenuante, sopra do Mar Mediterrâneo o Solano, vento frio que ajuda a suavizar o efeito dos quentes verões da região. O solo possui cor escura, de natureza calcária e pobre em matéria orgânica.


Suas Sub-Regiões


Vinhedos da Bodega Torre Oria.


            Utiel-Requena é uma DOP (Denominación de Origen Protegida – Denominação de Origem Protegida) pertencente a Comunidad Valenciana, a qual possui certa autonomia em relação ao governo central espanhol. Não possui sub-regiões.


Suas Castas

            Tradicionalmente, Utiel-Requena é a terra da Bobal, cepa tinta autóctone (originária da região) bastante adaptada aos rigores do clima da região. Ocupa 75% da superfície total dos vinhedos, também sendo bem adaptada ao calcário típico do seu solo. São produzidos rosés e tintos, em sua maioria varietais, desta cepa; os primeiros costumam ser muito aromáticos, remetendo geralmente a frutas negras e muito frescos no paladar. Os tintos, por sua vez, geralmente são muito bem estruturados e potentes, com aromas de frutas maduras, especiarias e notas de couro. Possuem bom potencial de envelhecimento. Uma curiosidade: quando da expansão da filoxera pelo continente europeu, as vinhas de Bobal demonstraram grande resistência à praga, ao contrário da maior parte do vinhedo do continente, o que permitiu à região manter por algum tempo as plantações sem a enxertia com a videira americana, e também propiciou um grande aumento das vendas e exportações de seus vinhos, avidamente procurados por consumidores “puristas”, em busca de vinhos oriundos de videiras sem a enxertia.



Cepa Bobal.


            Também se faz presente a cepa Tempranillo, plantada em cerca de 12% das vinhas da região. Outras cepas tintas permitidas pela legislação: Garnacha (Grenache) Tinta, Garnacha Tintorera, Cabernet Sauvignon, Mertlot, Syrah, Pinot Noir, Petit verdot e Cabernet Franc.

Diante da predominância tinta, naturalmente a participação das vinhas brancas na composição da denominação é baixa: cerca de 6%. A cepa mais cultivada é a também autóctone Tardana, de amadurecimento tardio. Produz vinhos de cor amarela, pálidos com reflexos dourados. Os aromas geralmente remetem a frutas como abacaxi e maçã. Frescos e equilibrados no paladar, costumam ser bem estruturados e de boa persistência na boca.



Cepa Tardana.


Outro variedades brancas plantadas são: Macabeo, Merseguera, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Parellada, Verdejo e Moscatel de grano menudo.


Seus Principais Produtores

            Seguem nomes de alguns dos mais renomados produtores de Utiel-Requena:
           
  • Bodegas Carlos Carcél;
  • Vinícola Requenense;
  • Coviñas;
  • Bodega Finca La Picaraza;
  • Virgen de Loreto;
  • Bodegas Utielanas;
  • Bodegas Sinarcas;
  • Bodegas Pedro Moreno;
  • Haecky;
  • Bodegas Murviedro;
  • Vicente Gandía Plá;
  • Torre Oria;
  • Latorre;
  • Bodegas Castillo San Damián;
  • Bodega Aranleón;
  • Bodegas Iranzo;
  • Bodegas Proexa;
  • Enotec;
  • Bodegas Nodus;
  • Finca San Blas;
  • Ecovitis;
  • Bodegas Vegalfaro;
  • Dominio de La Vega;
  • Pago de Tharsys;
  • Bodegas Ladrón de Lunas;
  • Cerro Gallina;
  • Noemi Wines.


Vinho Degustado: Al Vent Bobal 2011 (DOP Utiel-Requena)



            A Bodegas Coviñas têm sua origem no ano de 1965, e sempre teve sua visão tanto para o mercado local quanto para os mercados emergentes. Porém, cabem alguns detalhes sobre sua estrutura: trata-se de uma cooperativa, composta por 12 cooperativas de Utiel-Requena (San Antonio, Roma, El Derramador, Barrio Arroyo, Campo Arcis, Villagordo del Cabriel, Los Isidros, Los Duques, Hortunas, La Portera, Las Monjas e Viticultores de Requena), constituindo uma área total cultiva de cerca de 11.000 hectares, o que corresponde a cerca de 40% do vinhedo total de Utiel-Requena. As uvas são entregues por estas “sub-cooperativas” para que sejam avaliadas pela Coviñas quanto à sua qualidade. Uma vez tomada a decisão, as uvas serão devolvidas para a “sub-cooperativa”, a qual produzirá seus vinhos.

Suas principais linhas de produtos são: Enterizo, Al Vent, Marques de Plata, Peña Tejo, Aula, Viña Decana, Rojiñón e Requevin. No entanto, o comitê da bodega sempre avalia novas possibilidades de acordo com a qualidade das uvas colhidas, e novas linhas ocasionalmente são lançadas.

           Vinho adquirido na loja O Melhor Vinho do Mundo.


Análise Visual

            O vinho apresentou visual límpido, de média intensidade, borda de tons rubi-claros, núcleo rubi.
  
Análise Olfativa

            Os aromas apresentaram média intensidade. São primários: frutas negras maduras, levemente mentolado, notas tostadas e de pimenta e cravo.

Análise Gustativa

            Seco, apresentou alta acidez, taninos macios porém bem marcados, corpo de alta intensidade, sabor de especiarias, tostado e frutas negras, álcool médio para alto, persistência alta.


Considerações Finais

            Vivaz, de boa potência, fresco, encontra-se em seu auge. Bom parceiro para carnes untuosas de aves, massas de molho vermelho (porém sem muita picância) ou mesmo solo.


Pontuação: 88 FRP



Fontes:

Ruta del Vino – Utiel-Requena: http://www.rutavino.com

Site oficial da região: www.utielrequena.org


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Glossário





            A cena é freqüente e, por vezes, causa algum constrangimento: é solicitada ou trazida à mesa espontaneamente a carta de vinhos do restaurante e, no intuito de auxiliar ou elucidar dúvidas do potencial consumidor da bebida, nos deparamos com termos como terroir, milésime, cru, assemblage e outros tantos. Alguns solicitam o auxílio do sommelier; outros, por vergonha ou orgulho, preferem assumir seus próprios riscos com o desconhecimento e permitir que o vinho possa colocar em xeque uma refeição prazerosa.
           
Como quaisquer outras áreas do conhecimento, o universo do vinho possui termos e definições muito próprios, os quais são praticamente impossíveis de serem listados em sua totalidade: contribui para isso a inventividade humana, que cria e desenvolve produtos, processos e identificações muito particulares, definidas por questões geográficas, sociais, econômicas e culturais. O sommelier, como profissional da hospitalidade, cujo objetivo, de forma geral, é gerenciar e viabilizar a melhor experiência possível para o cliente, certamente auxiliará satisfatoriamente, uma vez que também é um estudioso quase que em tempo integral: novos produtos, safras de bebidas e contatos com novos produtores e regiões o tornam naturalmente apto para tal função.

            Ainda assim, e provavelmente muitos enófilos surgiram e ainda surgirão desta forma, o espírito investigativo e a memória das pessoas trará à lembrança alguns termos que, com ou sem o auxílio do sommelier, ainda podem ter permanecido obscuros. A lista abaixo contempla uma gama de termos do universo do vinho que poderão lhe auxiliar em momentos como o supracitado, ou na aquisição de um rótulo, ou ainda para a leitura das publicações de blogs como O Mundo e o Vinho. Ela não têm pretensão de servir como o “guia definitivo”: trata-se, aliás, de um post “vivo”, o qual será sempre atualizado. Esperamos que seja realmente útil. Aos termos:


Assemblage: ver corte;

Adstringência: ver Tanino;

AOC: “Appellation d'Origine Contrôlée” ou Apelação de Origem Controlada, equivalente ao DOC, utilizado em Portugal e Itália, é um sistema criado na França para certificação de qualidade de produtos como queijos e vinhos em regiões delimitadas geograficamente, os quais devem cumprir uma série de regras para a sua obtenção. Quanto mais específicas as regiões e detalhadas as informações da AOC da qual origina-se o produto, mais rigorosas são as regras para a sua obtenção; porém, maior é a qualidade do produto resultante;

Apelação de Origem Controlada: ver AOC;

Blanc de Blancs: espumante produzido com utilização somente de cepas brancas;

Blanc de Noirs: espumante produzido com utilização somente de cepas tintas;

Blend: ver corte;

Bouchonné: termo que designa que a bebida está contaminada por um fungo transmitido pela rolha de cortiça ou pelo próprio ambiente da vinícola;

Bouquet: ver Buquê;

Brut: vinho, geralmente espumante, o qual contém menos de 15 gramas de açúcar por litro;

Buquê: geralmente chama-se de buquê o aroma de vinhos com certo tempo de produção, os quais demonstram evolução e envelhecimento ao cheirarmos;

Champenoise: método tradicional de produção de espumantes, em que a segunda fermentação prevista é realizada dentro da garrafa;

Chaptalização: adição de açúcar durante a fermentação do vinho, a fim de se elevar a sua graduação alcoólica. Muito utilizada em regiões onde as uvas têm dificuldades de maturação;

Charmat: método de produção de espumantes, em que a segunda fermentação prevista ocorre em tanques de aço inoxidável ou de concreto;

Chip: pedaços de carvalho que são submersos no mosto ou vinho, os quais transmitem a este aromas e sabor de madeira. Trata-se de uma prática bastante controversa;

Clos: termo francês que designa um vinhedo murado, geralmente de alta qualidade, cujas origens remontam à Idade Média, quando da delimitação pelos monges cluniacenses e cistercienses, na região da Borgonha, de seus vinhedos através de muros;

Corte: composição de um vinho o qual utiliza mais de uma cepa em sua produção. Ex.: corte bordalês (abaixo);

Corte bordalês: termo utilizado para designar vinhos produzidos com o corte autorizado na região de Bordeaux, França, não tendo de ser necessariamente produzidos nesta região. São autorizadas as seguintes cepas tintas, nesta região: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot, Carmenére e Malbec. Tradicionalmente, o corte bordalês possui predominância de Cabernet Sauvignon e/ou Merlot, com percentual também significativo de Cabernet Franc e muito pequeno das demais, quando aparecem;

Cortiça: matéria-prima das rolhas de vinhos. Origina-se da casca do sobreiro. Portugal é o maior produtor mundial de cortiça;

Crianza: nomenclatura utilizada na Espanha para vinhos os quais passaram por 2 anos de envelhecimento (tintos; os brancos devem passar por 18 meses) antes de sua comercialização, sendo obrigatórios 06 meses de passagem por barris de carvalho. Em Rioja, os tintos devem passar por 12 meses em barris de carvalho;

Cru: termo francês que designa um vinhedo ou terroir específico o qual dá origem a um produto com características particulares. Na França, Cru serve como classificação qualitativa dos vinhos, como Grand Cru ou Premier Cru;

Decantador: recipiente de fundo largo e abertura estreita, utilizado para destacar sedimentos de determinado líquido. Em vinhos, utiliza-se para separar as borras ao servir (vinhos mais velhos) ou também para oxigenar e liberar seus aromas;

Decanter: ver Decantador;

Denominação de Origem Controlada: ver DOC;

DOC: equivalente ao AOC francês (abaixo), é uma nomenclatura utilizada na Itália e Portugal para seus sistemas criados para certificação de qualidade de produtos como queijos e vinhos em regiões delimitadas geograficamente, os quais devem cumprir uma série de regras para a sua obtenção. Quanto mais específicas as regiões e detalhadas as informações da AOC da qual origina-se o produto, mais rigorosas são as regras para a sua obtenção; porém, maior é a qualidade do produto resultante;

Enófilo: apreciador de vinhos;

Enólogo: profissional formado em Enologia, ciência que estuda tudo o que está relacionado com a produção e conservação de vinho;

Fermentação Malolática: transformação do ácido málico em ácido lático, a fim de suavizar os sabores do vinho. Utilizada para redução da acidez de um vinho. Mais comum em vinhos tintos;

Filoxera: inseto da ordem dos Hemípteros (e, portanto, parente dos percevejos), família Phylloxeridae, originário da América do Norte. Nome científico: Daktulosphaira vitifoliae (também conhecido como Phylloxera vastatrix). Seu ataque às plantações de Vitis Vinifera na Europa a partir do último quarto do século XIX causou a maior devastação já provocada na viticultura mundial;

Flor: camada de levedura da espécie Saccharomyces cerevisiae (utilizada também na produção de etanol, pão e cerveja) formada quando do amadurecimento em barril de vinhos fortificados do estilo Jerez. A camada protege o vinho do contato com o oxigênio;

Gran Reserva: nomenclatura utilizada na Espanha para vinhos os quais passaram por 5 anos de envelhecimento antes de sua comercialização, sendo obrigatórios 24 meses de passagem por barris de carvalho. Nos países do Novo Mundo, e em especial Chile e Argentina, a nomenclatura é utilizada geralmente para designar um produto superior em qualidade, não necessariamente obedecendo a regras de legislação;

Icewine: “vinho de gelo” em inglês, é um vinho de sobremesa produzido a partir de uvas congeladas ainda na videira;

Levedura: fungos, geralmente unicelulares, responsáveis por alterações químicas as quais, no caso dos vinhos, resultam na conversão do açúcar contido nas bagas das uvas em álcool;

Magnum: tamanho especial para garrafas de vinho, capazes de armazenar 1,5 litros da bebida. Abaixo, as diversas dimensões existentes:




Milésime: termo geralmente aplicado a espumantes, designa o rótulo elaborado com uma safra específica;

Novo Mundo: termo comumente utilizado para agrupar países em que a Vitis Vinifera não é originária, porém o seu plantio foi bem-sucedido a ponto de viabilizar a produção de vinhos de boa qualidade. EUA, Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia são seus principais expoentes;

Perlage: “colar de pérolas”, em francês, são borbulhas de gás carbônico que se formam quando do serviço do vinho espumante, as quais desprendem-se do fundo até a superfície da taça;

Podridão Nobre: resultado da ação do fungo Botrytis Cinerea sobre as bagas de uva maduras em períodos de clima seco, permitindo a obtenção de um vinho bastante doce. São particularmente conhecidos os vinhos “botritizados” gerados nas regiões de Sauternes (França) e Tokay (Hungria), entre outras regiões;

Porto Ruby: vinho do Porto (e, portanto, fortificado) o qual passa por menos contato com os barris de envelhecimento do que os Portos Tawny (acima); por isso, conservam durante mais tempo as suas características iniciais, devido à baixa oxidação;

Porto Tawny: vinho do Porto (e, portanto, fortificado) o qual passa por mais contato com os barris de envelhecimento do que os Portos Ruby (abaixo); possuem características de evolução bem nítidas, perceptíveis visual, olfativa e gustativamente, e que variam conforme sua sub-categoria;

Porto Vintage: categoria de vinho do Porto, produzido com uvas de somente uma safra, esta de excepcional qualidade. Para obtenção desta distinção, o vinho deve ser avaliado por um órgão competente, o qual o designará como Vintage;

Prensagem: esmagamento suave das cascas das uvas, a fim de obter o suco ainda contido nestas;

Remuage: etapa do processo de produção de espumantes, durante o qual, em períodos constantes, as garrafas são giradas e inclinadas gradativamente, a fim de remover os sedimentos gerados pela segunda fermentação em garrafa do método Champenoise (ver acima), ao final. Pode ser feita de forma manual ou automatizada;

Reserva: nomenclatura utilizada na Espanha para vinhos os quais passaram por 3 anos de envelhecimento antes de sua comercialização, sendo obrigatórios 12 meses de passagem por barris de carvalho. Na Itália, é utilizada para vinhos os quais passaram por 5 anos de envelhecimento antes de sua comercialização, sendo obrigatórios 36 meses de passagem por barris de carvalho. Em países do Novo Mundo, e em especial Chile e Argentina, a nomenclatura é utilizada geralmente para designar um produto superior em qualidade, não necessariamente obedecendo a regras de legislação;

Reservado: denominação genérica para rótulos mais acessíveis de determinado produtor, porém ainda assim de boa qualidade;

Screwcap: formato de tampa para vinhos, em rosca. Seu uso vem se proliferando;

Solera: sistema utilizado para envelhecimento de vinhos como Jerez (Espanha), Madeira (Portugal), Marsala (Itália), Muscadelle (França) e Mavrodaphne (Grécia). Os barris são empilhados, de forma que os vinhos mais antigos fiquem na base, e no topo, os vinhos mais jovens. Uma parte do vinho mais antigo é engarrafada, e o barril é completado com uma porção igual do vinho do “andar” imediatamente superior, e assim sucessivamente até o topo. Na Sicília, onde é produzido o vinho fortificado Marsala, esse processo recebe o nome de In Perpetuum;

Sommelier: profissional especializado no conhecimento de bebidas alcoólicas e itens relacionados às suas interações (pratos e ingredientes, charutos, etc), bem como gerenciamento de tais dentro de suas áreas de atuação, como lojas, restaurantes, hotéis e demais estabelecimentos ligados ao setor de bebidas e alimentação;

Sur Lie: “sobre as borras” em francês. Designa vinhos os quais é permitido o envelhecimento em contato com as leveduras mortas, após a fermentação;

Tanino: sensação gustativa própria dos vinhos tintos e fortificados, a qual remete à aspereza, secura;

Terroir: termo francês, sem tradução em outros idiomas, o qual designa as interações físicas e biológicas ocorridas num espaço (um vinhedo, por exemplo), as quais, aliadas às práticas enológicas aplicadas pelo produtor, originam produtos únicos daquele lugar;

Trocken: termo alemão para designar um vinho seco;

Varietal: vinho composto por uma única cepa ou, em alguns casos (dependendo das regras do país/região), por uma cepa a qual constitui percentual dominante na composição.

Velho Mundo: termo comumente utilizado para agrupar países do continente europeu, “lar” original da Vitis Vinifera. França, Itália, Portugal, Alemanha e Espanha são seus principais expoentes;

Vinho de Mesa: nome dado a vinhos de produção simples, geralmente utilizando-se de espécies de uva que não a Vitis Vinifera (comumente utilizada a espécie Vitis Labrusca);

Vinho Fortificado: vinho o qual é adicionada aguardente vínica, durante ou após o processo de fermentação;

Vinho Laranja: vinho produzido com uva(s) tinta(s), porém utilizando-se do método para produção de vinhos brancos;

Vinho Natural / Orgânico / Biodinâmico: vinhos feitos com nula ou mínima intervenção/utilização de produtos químicos estranhos ao ecossistema natural da videira. Em suma, vinhos naturais geralmente são “manipulados” pelo produtor o mínimo possível; vinhos orgânicos são produzidos de modo a manter a “pureza” do vinho, utilizando-se de artifícios naturais para sua produção, controle de pragas, etc; vinhos biodinâmicos, além dos artifícios utilizados na produção do vinho orgânico, consideram a preservação da saúde do vinhedo e sua renovação/revitalização, resultando num plantio sustentável e com o menor impacto possível no ecossistema. O grau de utilização de tais técnicas varia conforme o produtor;



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Vale do Rhône




Vinhedos da AOC Château Grillet, localizada na área setentrional do trecho francês do Rio Rhône.


            O Rhône (Ródano) é um dos principais “rios de vinho” do mundo. Corta diversas regiões vitivinícolas da Suíça e da França até o seu destino final: o Mar Mediterrâneo. Sempre foi uma importante hidrovia, atualmente servindo de ligação entre diversas cidades do sudeste francês. Em seu final, possui uma importantíssima reserva ecológica: o pântano de Camargue, reduto de espécies endêmicas (existentes somente naquele ecossistema), muitas ameaçadas de extinção. É particularmente famoso desta região o touro Camargue, de sabor forte e que, em 1996, tornou-se a primeira carne bovina a receber o selo governamental de Denominação de Origem Controlada — DOC. Os termos AOC, DOC, bem como outros, serão tema de post futuro. No entanto, neste momento é interessante saber que tratam-se de uma espécie de “certificação” obtida por um produto (vinhos, geralmente), através de avaliação de órgãos regulatórios, obedecendo a regras específicas (e rigorosas) de produção.



O pântano de Camargue


            Em seu curso, cruza diversas regiões vitivinícolas da Suíça e França, como Valais e a Savóia, regiões que serão objeto de apresentação deste blog futuramente. Porém, quando falamos deste rio, referimo-nos a um trecho particularmente famoso, os quais muitas vezes já vimos em gôndolas e lojas através dos rótulos “Côtes du Rhône”. Falemos, pois, sobre este trecho, berço de vinhos esplêndidos.


Sua História



Palácio dos Papas em Avignon. Foi a sede única da Igreja Católica pelo período entre 1309 e 1377.


            O Rhône foi importante rota comercial para as civilizações surgidas na Antiguidade em torno do Mediterrâneo, em especial os gregos e os romanos. Seu curso permitiu a penetração destes povos até o interior do continente europeu, possibilitando o comércio e influência cultural greco-romana aos povos celtas, em particular os gauleses. Os vinhos ali produzidos, em especial aqueles próximos a atual cidade de Vienne, já eram célebres entre os romanos. Pesquisas arqueológicas apontam que os povos nativos da região, antes da chegada de tais colonizadores, já produziam vinhos através de técnicas rudimentares

Dada a sua instabilidade climática (degelos nas estações quentes, os quais provocavam alagamentos em seu entorno; secas) e geológica (correntes, bancos de areia), sempre foi um rio de difícil navegação. Até o século XIX, viagens eram feitas em transportes conhecidos como “coches d’eau”, carros de água levados por homens, cavalos ou a vela. Muitos pintavam cruzes e símbolos religiosos, solicitando proteção divina quando da jornada pelo rio.

No século XIV, a cidade de Avignon, a qual localiza-se às margens do Rhône, tornou-se sede do papado, no período entre 1309 e 1377, em um período da Igreja Católica em que sua autoridade estava subordinada aos interesses dos reis da França. Deriva desta fase o chamado Grande Cisma do Ocidente, em que chegaram a coexistir dois papas (um em Roma e outro em Avignon), um período extremamente conturbado do cristianismo. Também deriva deste período um dos mais famosos vinhos desta região e, por que não, do mundo: o Châteauneuf-du-Pape, cujo vinhedo foi plantado por ordem de Clemente V, o primeiro papa de Avignon.

            Entre os séculos XVII e XVIII, os melhores vinhos do norte da região rivalizavam em reputação com os grandes rótulos de Bordeaux e da Borgonha. Quando das Guerras Napoleônicas, no início do século XIX, os portos franceses foram bloqueados, e os produtores de Bordeaux, que até então adquiriam vinhos espanhóis para dar mais coloração aos seus produtos, voltaram seus negócios para a aquisição dos vinhos escuros produzidos na sub-região de Hermitage. Infelizmente, nas décadas seguintes, houve a expansão das pragas do oídio e da filoxera (post futuro), o que afetou a produção local em termos qualitativos e, consequentemente, comerciais, cuja recuperação, pode-se dizer, foi atingida somente nos anos recentes.

            No século XX, precisamente em 1933, foi fundada a Compagnie Nationale du Rhône, criada para tornar mais fácil a navegação pelo seu curso. A despeito das interrupções decorrentes da Segunda Guerra Mundial, foram construídas diversas barragens e comportas, as quais também permitiram a geração de energia elétrica. Atualmente, cerca de 1/13 da eletricidade gerada na França provém das usinas instaladas por este projeto.
           
           
Sua Localização



Nascente do Rio Rhône, perto de Obergoms, cantão de Valais, Suíça.


            O Rhône nasce nos Alpes suíços, na região oeste daquele país. Porém, trata-se de um trecho bastante curto: logo o seu curso atravessa a fronteira com a França e corta o seu sudeste, rumo ao Mediterrâneo, formando um “delta” ao encontrar o mar.





Seu Clima e Solo

            A região possui variações drásticas de clima, conforme o rio avança rumo ao mar. Ao norte, o clima continental predomina, com estações bem delineadas e geadas freqüentes. A pluviosidade por vezes impede a floração das videiras; durante o verão, as freqüentes chuvas de granizo podem destruir em minutos o esforço de um ano inteiro do produtor. Esses “excessos” são amenizados conforme aproxima-se da costa mediterrânea, com estações mais amenas. A influência do mistral (vento frio e seco oriundo do norte, que percorre todo o vale) também é notável.    

O vale do Rhône é composto de formações rochosas, resultantes do atrito entre o Maciço Central e os Alpes. O primeiro contribui com características vulcânicas para a composição dos solos ao norte, de natureza granítica. Isso permite uma boa drenagem do solo. A superfície é composta por camadas de silício, calcário, mica, que costumam sentir os efeitos da erosão nas partes mais acidentadas: há necessidade de “reconstruí-las” manualmente. Estes trechos possuem boa incidência de sol e são pouco sujeitos aos efeitos do granizo ou gelo.
           
À medida que avança-se ao sul, o vale se amplia. As encostas tornam-se menos acidentadas; o subsolo é de natureza calcária, tanto arenosa quanto argilosa. A superfície é constituída por cascalho oriundo do processo de regressão dos glaciares, processo este ocorrido há milhares de anos.


Suas Sub-Regiões



Vinhedos localizados na AOC Coteaux-du-Tricastin.


            Os mais notáveis vinhedos do Vale do Rhône localizam-se ao norte. Iniciam-se em Ampuis. Este trecho possui oito AOCs (Appellation d’Origine Controlée – Apelação de Origem Controlada, que possuem regras para a produção de vinho de qualidade) de boa reputação:

Cote-Rôtie: esta divide-se em Côte-Brune e Cote-Blonde. Na primeira, 80% da produção são de vinhos varietais de Syrah, enquanto na segunda utiliza-se a cepa branca Viognier a fim de trazer mais equilíbrio aos Syrahs ali produzidos. É, provavelmente, o local onde obtém-se a expressão mais elegante da Syrah: seus vinhos figuram entre os melhores do mundo, alcançando altos preços;

Condrieu: região de solo granítico e com boa exposição ao Sol, que produz vinhos brancos varietais de Viognier de qualidade;

Château-Grillet: uma das menores AOCs da França, produz somente vinhos brancos varietais de Viognier, passiveis de guarda;

Saint-Joseph: região produtora de tintos varietais de Syrah e brancos com as cepas Roussanne e Marsanne. Já teve melhor reputação, devido à ampliação da sua área de abrangência. No entanto, os melhores produtores permanecem produzindo belos rótulos;

Hermitage: AOC prestigiosa e de tradição. Aqui, localiza-se um eremitério (de onde deriva seu nome francês) onde os monges e eremitas paravam para provar do vinho regional, produzido com Syrah (tintos) e Roussanne/Marsanne (brancos). Curiosidade: os vinhos desta AOC foram dados de presente pelo rei Luís XIV ao seu primo Carlos II da Inglaterra, o que fez seu prestígio crescer enormemente;

Crozes-Hermitage: assim como Saint-Joseph, também teve sua área ampliada há cerca de 60 anos, o que resultou em um declínio qualitativo. Porém, recentemente experimentou um salto qualitativo, e hoje é uma das AOCs mais interessantes da França. Produz tintos varietais de Syrah e brancos de Roussanne/Marsanne;

Cornas: pequena AOC responsável por tintos de Syrah muito potentes, os quais requerem guarda para que seu “corpo” seja amaciado;

Saint-Péray: AOC responsável por vinhos brancos, somente, utilizando-se da dupla Marsanne/Roussanne. Também há interessante produção de espumantes.

Ao sul, o domínio antes restrito às castas Syrah, Viognier, Roussanne e Marsanne cede lugar a uma enorme variedade de tipos: somente na denominação Châteauneuf-du-Pape são permitidas treze castas! Também a variedade de estilos aumenta: são produzidos vinhos fortificados, de sobremesa e roses:

Châteauneuf-du-Pape: originalmente, para a produção do famoso vinho desta região (cujas origens foram explicadas no item supra “Sua História”), eram utilizadas 13 cepas, propostas por Joseph Ducos. No entanto, a complexidade e dificuldade para obtenção de uma safra de qualidade para todas estas cepas acabou por “simplificar” o atual produto da região, composto essencialmente por Grenache, cortada juntamente com Syrah, Mourvèdre e mais alguma cepa. Também produz brancos encorpados;

Coteaux-du-Tricastin: AOC de vinhos medianos, consumidos quase que exclusivamente na região;

Côtes-du-Lubéron: recente AOC (surgida em 1985). O corte tinto permite as cepas usuais da região; para os brancos, deve sempre conter a cepa Ugni Blanc;

Côtes-du-Rhône: a maior denominação de todo o vale, responsável por cerca de 80% da produção total. Mesmo sendo tão ampla, o que poderia denotar qualidade bem inferior às demais AOCs, apresenta boas surpresas em termos de qualidade. A cepa predominante é a Grenache, geralmente compondo o corte com Cinsault, Mourvèdre e Syrah. Quanto aos brancos, domina a cepa Clairette, seguidas de Roussanne e Marsanne;

Côtes-du-Rhône-Villages: esta AOC possui uma particularidade. Os 16 municípios que a compõem podem acrescentar seu nome ao rótulo. Produção predominante de tintos à base de Grenache, eventualmente com adição de Syrah ou Mourvèdre. Quase não há produção de rótulos brancos;

Côtes-du-Ventoux: AOC responsável por vinhos simples, com algumas propriedades que destacam-se;

Gigondas: responsável pela produção de tintos e roses a base de Grenache com Syrah e Mourvèdre. Excepcionalmente surgem vinhos excepcionais na região;

Lirac: possui vinhos tintos e brancos comparáveis em qualidade ao vizinho Châteauneuf-du-Pape;

Tavel: esta AOC dedica-se à produção de roses potentes e alcoólicos. Como há o problema recorrente de a cepa Grenache oxidar rapidamente (e, consequentemente, afetar drasticamente o vinho), costuma resolver tal problema adicionando a cepa Mourvèdre;

Vacqueyras: outra AOC recente (1980), que fazia parte da AOC Côtes-du_Rhône-Villages. Tem produzido vinhos comparáveis a Châteauneuf-du-Pape, porém de preços mais acessíveis. O corte tradicional é com predominância de Grenache, juntamente com Syrah e Mourvèdre.

Beaumes-de-Venise: AOC estabelecida em 1943, responsável pelo VDN (Vin Doux Naturel – vinho doce natural, geralmente fortificado – adição de aguardente vínica durante a fermentação) conhecido como Muscat de Beaumes-de-Venise, feito a base da cepa Muscat, que vêm adquirindo certo prestígio fora de sua região (também conhecida como Moscato ou Moscatel, a mesma cepa utilizada para espumantes de sabores adocicados);

Rasteau: AOC pouco conhecida, responsável por vinhos fortificados à base das três variações de Grenache (Gris, Blanc e Noir), também sendo permitida a utilização das demais cepas tintas ou brancas da região no corte. Há duas designações para os seus vinhos: Hors d’âge (armazenados por 5 anos antes de serem vendidos) e Rancio (vinhos levados às barricas, que são deixadas ao Sol, conferindo toque oxidado).


Suas Castas

            O norte do Vale do Rhône é a pátria da Syrah (ou Shiraz), casta tinta produtora de vinhos escuros e potentes, de aromas complexos, geralmente associados a frutas negras, especiarias e violetas, a qual geralmente gera rótulos varietais (de uma só cepa/casta) nesta região. Ao sul, predomina a cepa tinta Grenache (Garnacha/Garnatxa), que dá origem a vinhos bem alcoólicos, encorpados, de aromas geralmente frutados e coloração mais clara. Também são plantadas, em menor grau, cepas como Mourvèdre, Cinsault e Syrah, entre outras.
            Há também a produção de rótulos brancos. Ao norte, as cepas Viognier (de aromas delicados, leve), Marsanne (cepa robusta, de vinhos aromáticos) e Roussanne (mais delicada, porém tão aromática quanto a Marsanne) encontram ótimas condições para expressar seu potencial, em especial na sub-região de Hermitage. Ao sul, importante é o cultivo da Grenache branca, cujos vinhos são naturalmente frescos, sendo, portanto, necessário consumi-los ainda jovens.


Seus Principais Produtores

            Seguem nomes de alguns dos mais renomados produtores do Vale do Rhône:
           
  • Yves Cuilleron;
  • Auguste Clape;
  • Domaine Courbis;
  • Jean Michel Gerin;
  • Tardieu Laurent;
  • Vidal Fleury;
  • Alain Graillot;
  • Marcel Guigal;
  • Chapoutier;
  • Gérard Chave;
  • Paul Jaboulet Ainé
  • Château de Beaucastel;
  • Château de La Gardine;
  • Château Mont-Redon;
  • Clos des Papes;
  • Château de La Tuilerie;
  • Domaine du Vieux Télégraphe;
  • Domaine de Grangeneuve;
  • Domaine de Pallières.


Vinho Degustado: Octave Crémieux 2007 (AOC Crozes-Hermitage)




            Octave Crémieux é um produtor que possui vinhedos localizados no centro da AOC Crozes-Hermitage, bem como vinhedos em diversas AOCs na Borgonha, como Puligny-Montrachet, Beaujolais, Côte de Nuits, e mesmo no Vale do Rhône, como Châteauneuf-du-Pape e Côtes du Rhône. Produz rótulos com boa qualidade e preços não muito altos. São importados para o Brasil pela Santar. O vinho a ser avaliado é da AOC Crozes-Hermitage


Análise Visual

            O vinho apresentou visual límpido, de média intensidade, borda com tons alaranjados, núcleo rubi.


Análise Olfativa

            Os aromas apresentaram média intensidade. São secundários, remetendo a lã molhada, frutas e folhas secas, e um toque sutil de especiarias.


Análise Gustativa

            Seco, apresentou alta acidez, taninos suaves, aveludados, corpo de média intensidade, sabor de especiarias e frutas secas, álccol intenso, persistência alta.


Considerações Finais

            Em elegante evolução, provavelmente em seu auge. Acompanha carnes vermelhas cozidas e ensopados, bem como pratos a base de batatas.


Pontuação: 90 FRP



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Fontes:

ZH Gastrô: Carne de touro é especialidade da Camarga, na França

Revista Adega: O Vale de Contrastes

Wikipédia


LAROUSSE DO VINHO, Editora Larousse, 2007